Entrevista de Manuel de Freitas à revista Os Meus Livros de Junho. Transcrição:
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Eles vivem…
Ao contrário de outros sectores, o mundo dos livros não pára de gerar empresas. Três editoras recentes, uma delas de um veterano da edição, comprovam a aposta constante que se regista. Conheça a Booksmile, Fio da Palavra e Vogais & Companhia.
Texto João Morales
«Vamos ser, acima de tudo, a primeira editora de livros ilustrados para o grande público. Começaremos por lançar as nossas apostas para o público infantil, para consolidar a nossa imagem nesse segmento, e em Outubro lançaremos as nossas apostas para o segmento adulto e para o segmento de ofertas de Natal», explica Manuel de Freitas, director-geral da Booksmile. A editora estreou-se com “Galope”, um curioso livro que recorre a uma tecnologia inovadora, criando a ilusão de movimento nas imagens. Seguir-se-á a colecção Toots (em formato redondo, com capas tácteis, adaptadas ao tema de cada volume) e a Princesa Poppy. «Tínhamos previsto avançar com uma colecção para meninas dos 4 aos 9 anos e, por felicidade, encontrámos a Princesa Poppy que, não só tem qualidade, como é um sucesso – mais de dois milhões de exemplares vendidos lá fora. Entregámos a tradução à Isabel Fraga (romacista e tradutora de Harry Potter) e iremos lançar dez títulos em simultâneo. Em 2010 iremos lançar colecções de características semelhantes para rapazes, e também para o escalão juvenil», explica-nos este responsável.
A postura adoptada denuncia uma visão nitidamente empresarial, como se depreende da explicação de Manuel de Freitas. «Houve um trabalho prévio de definição da oportunidade e da estratégia editorial da chancela, o qual começou em 2007 e foi bastante exaustivo. Foram os Booktailors que o fizeram e no final resultou um plano que contempla 24 linhas de colecções, agrupadas em seis famílias, para concretizar a três anos. Com esse plano na mão fomos procurar a Londres e a Francoforte os melhores títulos que encaixassem nas linhas programadas para este ano. Há, portanto, um método e um rigor que nos impedem de adquirir (ou não adquirir) títulos só pelo gosto pessoal».
A tudo isto não será alheio o percurso deste novo editor, multifacetado, mas inegavelmente dinâmico. Entre outras coisas foi director de conteúdos do Clix, director de vendas da IP Global, director de Estratégia Multimédia e Capital de Risco na Sonaecom ou co-fundador da 2020 Multimédia (agência independente de comunicação interactiva), mas também sócio maioritário da primeira unidade nacional da Cantina Mariachi em Portugal. Agora, os livros, «porque não há amor como o primeiro. Comecei ao balcão da livraria da família com 11 anos, ainda o trabalho infantil não era proibido…». E mostra-se a par das novas tendências: «Não vamos usar a Internet para vender e-books… nem sequer para vender, ponto. Em vez disso, vamos usar a Internet, recorrendo a redes sociais alargadas, para divulgar o catálogo. Teremos sempre um booktrailer por título e por colecção. YouTube, Facebook, Linkedin, Twitter, RSS, newsletter, embed & share… já estamos lá», esclarece.