Entrevista de Francisco José Viegas sobre o livro Se eu Fosse… Nacionalidades no DN Artes: 9-Jul-2010
“Não é literatura infantil, é um livro para crianças o que o escritor Francisco José Viegas acaba de publicar: chama-se ‘Se Eu Fosse… Nacionalidades’ e é o primeiro de uma colecção de seis, ilustrada por Rui Penedo.
‘Eu tenho uma relação um bocadinho difícil com a chamada literatura infantil, porque às vezes duvido muito das intenções dos autores: se escrevem mesmo para crianças ou se escrevem do ponto de vista deles’, disse o autor à Lusa.
Por isso, e por considerar que ‘uma das condições essenciais para um livro ser para crianças é que se pense como é que ele vai ser usado’, decidiu apresentar-lhes um rapaz chamado Leonel, cujo diminutivo é Lio, o protagonista das seis aventuras da colecção ‘Se Eu Fosse…’, editada pela Booksmile e destinada a crianças com idade entre cinco e oito anos.
‘As crianças apropriam-se do livro para o usarem e, portanto, é preciso ver para que é que as crianças querem este livro, o que é que este livro vai acrescentar-lhes ou não, de que maneira é que nós podemos seduzir também as crianças para qualquer coisa’, observou.
Para escrever este livro, Francisco José Viegas, de 48 anos, socorreu-se das memórias de um jogo que fazia em casa com os filhos e, antes disso, com a irmã: ‘Era pegar no mapa-mundo e fazer perguntas do género ‘onde é Bogotá? Onde é Jacarta? Onde é Estocolmo? Onde fica a Finlândia?’… coisas assim’.
Porque ‘isso não só despertava a curiosidade – defendeu – como se aprendia alguma coisa e dava-nos uma noção que era fundamental, que era a de que o mundo não é só isto aqui que temos à nossa volta. Foi a partir dessa ideia, também, que arranquei para o livro’.
‘Mas não o fiz com aquela sensação de ‘ok, vou escrever para a infância”, acrescentou.
‘A infância para mim é uma idade estranha, que eu não compreendo. Acho que as crianças são seres que estão a aprender tudo e aprendem da melhor e da pior maneira. E eu acho que fazer-lhes um livro é, pelo menos, uma maneira feliz [de aprenderem]. Se não fosse um livro, eu gostava de fazer-lhes um herbário’, admitiu.
As ilustrações são de Rui Penedo que, segundo o escritor, ‘desenhou maravilhosamente o Lio: criou-lhe um rosto, deu-lhe forma, tornou-o presente, com a grande sensibilidade que tem para as cores’.
‘O Rui consegue chamar a atenção sem ser berrante, sem ser gritante, com uma sensibilidade extrema e também com um sentido de humor muito engraçado’, sublinhou.
Uma experiência que Francisco José Viegas diz ser ‘para repetir no próximo, que é dedicado às profissões’.