OAC publica dados sobre o mercado editorial português (e poucos se apercebem)

Uma das queixas recorrentes (e válidas) de muitos dos actores do meio editorial português é a falta de transparência e a quase absoluta ausência de estatísticas sobre o sector. O «segredo do negócio» é a desculpa na qual muitas das empresas se resguardam para não divulgarem os seus resultados financeiros, o que bloqueia uma possível avaliação da evolução das empresas, a caracterização do segmento em que operam e do mercado como um todo.

Muitos se queixam, mas poucos estão atentos (este vosso escriba incluído): a 24 de Setembro, o Observatório das Actividades Culturais publicou no seu site o documento «Edição e Comercialização de Livros em Portugal: Empresas, Volume de negócios e Emprego (2000-2008)», coordenado por José Soares Neves e Jorge Alves dos Santos. Mas poucos o comentaram, poucos o devem conhecer (na web, encontrei apenas o texto do professor Rogério Santos), tão escassa (inexistente?) foi a sua divulgação.

O estudo do OAC surge na sequência do Inquérito ao Sector do Livro, usa como fonte os dados disponiblizados pelo INE no seu portal e na publicação Estatísticas da Cultura 2008 e apresenta resultados interessantes. Vejamos alguns dados referentes a 2008:

Edição
- Identificadas 415 empresas, na sua maioria (9 em cada 10) são pequenas ou muito pequenas.
- Volume total de negócios: 404 milhões de euros.

Retalho
- Identificadas 636 empresas (97% têm menos de 9 pessoas ao serviço).
- Volume total de negócios: 141 milhões de euros.

Como é evidente, estes valores não são representativos do actual jogo de forças do mercado, dado que excluem (por se referirem apenas ao período 2000-2008) a relativa consolidação do grupo Leya em 2009/2010 e a aquisição, pela Porto, dos activos do DirectGroup Bertlesmann.

Ainda assim, os resultados do OAC confirmam as estimativas que se comentavam em surdina: um mercado de 500 milhões de euros (edição + retalho), concentrado em Lisboa e no Porto, com uma esmagadora maioria de empresas de pequena dimensão que, por sua vez, representam uma parcela pequena do volume de negócios global.

Esperemos que o estudo prossiga e que os próximos resultados sejam apresentados com maior celeridade e a divulgação que merecem.

2 thoughts on “OAC publica dados sobre o mercado editorial português (e poucos se apercebem)

  1. Sim, a metodologia não será a melhor no que respeita ao «Pessoal ao serviço». Referem um número redondo, que não passa disso, os tais 2000 profissionais. Falta a análise dos que prestam serviços às empresas como trabalhadores por conta própria, sendo certo que estes são tão fundamentais para o funcionamento do negócio como os que pertencem aos quadros das editoras.

  2. Isto deve deixar de fora centenas ou milhares de tradutores, revisores e designers:

    «Não são considerados como pessoal ao serviço […] os trabalhadores independentes (p. ex: prestadores de serviços, também designados por “recibos verdes”).»

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