Terminou no domingo passado a Feira do Livro do Porto, edição 2011. À semelhança do balanço que fiz para a Feira de Lisboa, deixo aqui para memória futura o balanço desta e a análise comparativa com a Feira de Lisboa.
Foi apenas o nosso segundo ano de presença na Feira. Mantivemos um pavilhão simples, praticamente na mesma localização, que não nos agrada muito – uma ilha isolada de apenas oito pavilhões, entre a “feira de cima” e a “feira de baixo” – pelo baixo número de pavilhões, a nossa ilha torna-se local de passagem dos visitantes e não de paragem.
Este ano a feira durou menos dois dias que em 2010. Sobre as vendas globais da Feira, disse o seu director Avelino Soares: “Pelas conversas que tivemos, pensamos que houve um pequeno decréscimo que pode rondar os cinco, dez por cento do volume de vendas”.
Connosco ninguém conversou, senão ter-lhe-íamos dito que, estando no mesmo local e com o mesmo tipo de pavilhão, o nosso volume de vendas foi EXACTAMENTE O DOBRO que no ano passado (mais uma vez, terei todo o prazer em revelar o valor aos editores que mo peçam, apesar de ninguém mo ter pedido relativamente a Lisboa).
Portanto, se em Lisboa mantivemos o volume de vendas, no Porto duplicámos. Ainda assim, no Porto vendemos pouco mais de metade do que vendemos em Lisboa, e o que vendemos no Porto representa apenas 0,6% da nossa facturação anual. Ou seja, nada que deva apoquentar os livreiros locais em termos da sua facturação anual.
Tal como em Lisboa, o objectivo do pavilhão centrou-se prioritariamente em promoções de preço a partir de 1€ e com até 90% de desconto (para títulos descatalogados), e secundariamente em colecções best-sellers (só com 10% de desconto). Fizemos uma decoração agressiva do pavilhão baseada em promoções, e levámos o nosso personagem-estrela para sessões de autógrafos em todos os fins-de-semana.
O preço de venda médio ponderado foi de 7,98€ (Lisboa: 8,14€), reflectindo um desconto médio ponderado sobre o PVP original de 41% (significativamente superior ao de Lisboa: 35%).
O top 10 de vendas foi muito semelhante ao de Lisboa, igualmente repartido entre títulos best-sellers com apenas 10% de desconto e títulos fortemente descontados. No entanto, enquanto que o desconto médio ponderado do top 10 em valor foi de 21% em Lisboa, no Porto foi de 38%. E o título mais vendido em quantidade no Porto foi uma promoção a 1€ com 92% de desconto, enquanto em Lisboa foi um título com apenas 10% de desconto.
Isto quer dizer o seguinte, e é assim que eu analiso a atitude de consumo dos visitantes da Feira do Porto, muito diferente da atitude em Lisboa:
Os visitantes no Porto são muito mais sensíveis ao preço e procuram muito mais promoções que em Lisboa, consequência do seu menor poder de compra.
Esta constatação, conjugada com o tema da decoração do nosso pavilhão centrado nas promoções (vs. ausência de decoração em 2010), justifica a duplicação das vendas este ano.
Ainda assim, considerando o papel ainda mais residual da Feira do Porto em termos de volume de vendas, só nos pode interessar estar presentes enquanto parte integrante de uma FESTA do livro e não de um mercado do livro. Tudo o que escrevi no balanço de Lisboa sobre o interesse de uma Feira deste género aplica-se ainda com mais razão à Feira do Porto.
Caro senhor,
Gostei muito desta sua atitude é que só a verdade faz andar para a frente o mercado.
Como exemplo os mercados de Espanha, USA e UK onde tudo se sabe e como eles crescem…
AA