Top Kids Fnac sem livros

Há muito tempo que não via isto assim: o top Kids Fnac desta semana não inclui um único livro nos 20 produtos mais vendidos.

Esta semana, no top constam apenas e só DVDs. Apenas e só DVDs de animação, para entreter as crianças em frente à TV.

Para ler, mais ainda nas férias grandes, não consta mesmo nada neste top. Nem umas Gémeas, nem um Banana, nem um Principezinho.

Dá que pensar.

Pelo português claro

Acabei de descobrir o site portuguesclaro.pt. Já sabia do movimento plain language há uns anos e sou adepto dos seus objectivos. Por isso quero partilhar este site convosco. O site explica-se assim:

O que é o Português Claro?

É uma linguagem simples e directa que o leitor entende à primeira.

• Utiliza apenas palavras familiares
• Evita termos demasiado complexos e frases rebuscadas
• Apresenta a informação da maneira mais clara possível
• Deixa de fora tudo o que é desnecessário

Um documento escrito em Português Claro permite aos leitores:

• encontrar rapidamente o que procuram,
• perceber perfeitamente o que lêem,
• e usar essa informação com toda a facilidade.

Não é fácil escrever em português claro, tal como não é fácil escrever em português rebuscado, aquele que temos de decifrar nos contratos de letra miúda. Mas podemos pelo menos esforçar-nos. É o que fazemos na BOOKSMILE, de que um exemplo é a nossa garantia incondicional de satisfação e qualidade.

Quem podia também pelo menos esforçar-se era o Governo na próxima revisão da Lei do Preço Fixo do Livro. Esta lei está certamente no topo dos Lusíadas legais e origina tantas dúvidas de interpretação que é a própria lei que acaba sendo ignorada.

Reflexões sobre o depósito legal

Em Portugal, tal como na maior parte dos países, existe a obrigatoriedade do depósito legal dos livros que se editam.

Por cada livro que edite, o editor é obrigado a entregar onze exemplares ao Estado, que os redistribui por bibliotecas nacionais, municipais e universitárias por todo o país.

Este ano vamos efectuar o nosso depósito legal pela primeira vez, o que me levou a reflectir sobre o seu conceito e prática, para chegar a esta conclusão:

O depósito legal é na prática uma taxa paga em géneros,
porque os livros entregues ao Estado são oferecidos.

Esta é a taxa que vamos pagar este ano, onze exemplares de cada um dos 28 títulos que editámos:

091221 (1)

Não é pouco, não é mesmo nada pouco. São 18 caixotes que uma transportadora irá levantar daqui a pouco para entregar no Serviço do Depósito Legal, que funciona na Biblioteca Nacional de Lisboa.

Compreendo que o depósito legal exista para preservar a nossa história cultural, e que é muito mais fácil a cada editor enviar para o Estado o que edita do que o Estado andar a ver nas livrarias o que se vai editando, arriscando dessa maneira ficar com a “colecção” incompleta.

Até sou capaz de compreender que o Estado exija os livros a título gracioso, já que o custo para o editor de imprimir um exemplar (ou 11) na gráfica é bastante inferior ao preço que o Estado pagaria adquirindo os livros nas lojas.

Mas, no fim do dia, olhe-se como se olhar, se é o editor que suporta o custo do depósito legal, então trata-se inegavelmente de uma taxa, um imposto específico cobrado pelo privilégio de se editar livros, e isso não está certo.

Arte revolucionária – anos 70/80

Num recente leilão de partilhas, desses onde se encontram preciosidades ao lado de tralhas apenas com valor sentimental para o falecido, arrematei um lote cuja descrição no catálogo era meramente “Cerca de 450 vinhetas de propaganda política dos anos 70/80″.

Pois o que me foi entregue, em duas caixinhas de plástico transparente amarelado pelo tempo, foi um tesouro não de propaganda, mas de arte pós-Revolução de Abril de 74, na forma de autocolantes maioritariamente produzidos de forma artesanal por pequenos núcleos partidários e sindicais, todos sem excepção de esquerda e extrema-esquerda.

A ideologia de quem produziu estes autocolantes apenas interessa para compreender a estética comum a esta colecção, que é, na minha opinião, fascinante.

Passados os anos suficientes para um distanciamento crítico dos tempos revolucionários, proponho que olhemos para estes pequenos objectos como arte e não como propaganda. Apresento aqui uma pequeníssima amostra da colecção, com os autocolantes em tamanho real:

adfa-direitoaotrabalho
ass-port-urss-expojuventudesovietica
covadapiedade-futuroteusfilhos
escoladopovo
reformaagraria-che
reformaagrariavencera
suv
vascovoltara

Será que há quem queira ver mais exemplares desta coleccção? Se está interessado, deixe um comentário no blogue ou no Facebook e eu prometo mostrar mais.

[Representados nas imagens: ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas, Associação Portugal-URSS, Comissão de Moradores/Zona Centro/Cova da Piedade, ? Arroios, ? (Reforma Agrária/Che Guevara), ? (Reforma Agrária/Camponesas), SUV - Soldados Unidos Vencerão, ? (Vasco Gonçalves Voltará)]

A solução para cães sem maneiras

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Esta fotografia foi tirada em 27 de Março de 2005, há mais de quatro anos. À esquerda: Pedro, um AIBO (de peúgas calçadas), que hoje faz parte da equipa BOOKSMILE; à direita: Noddy, um Yorkshire Terrier.

Já na altura o Noddy, com apenas um ano, era muito mal comportado. Desta primeira vez que conheceu o Pedro, não parou de lhe ladrar e, se não fosse a trela, ter-lhe-ia mesmo afincado uma dentada. Só houve mais um encontro entre os dois, documentado aqui.

Passados quatro anos, o Noddy não aprendeu nada. Por isso, meus queridos pais, tenham paciência – esta vai ser a vossa prenda de Natal…

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