Balanço da Feira do Livro de Lisboa 2011

ImageTerminou no Domingo a Feira do Livro de Lisboa, edição 2011. Foi apenas o nosso segundo ano de presença na Feira, desta vez com um pavilhão duplo em vez de dois simples, juntando as nossas chancelas Booksmile, Nascente e Vogais.

Já venho um pouco atrasado para escrever o nosso balanço e análise, mas aqui fica.

1. Números

Este ano a feira não teve direito a uma semana de prolongamento, como no ano passado, porque não fez tanto mau tempo. Ainda assim, o nosso volume de vendas manteve-se praticamente inalterado (menos 0,5% de receita de caixa – terei todo o prazer em revelar o valor aos editores que mo peçam).

O objectivo do pavilhão centrou-se prioritariamente em promoções de preço (para títulos descatalogados), e secundariamente em colecções best-sellers. Isso traduziu-se em descontos sobre o PVP original que variaram entre 10% (para as colecções conhecidas e best-sellers) e 92% (para 2 títulos que colocámos a 1€).

O PVP médio ponderado foi de 8,14€, incluindo um desconto médio ponderado de 35%.

O top 10 de vendas em quantidade foi constituído por 5 títulos com 10% de desconto e 5 títulos com 55% a 92% de desconto. O top 10 de vendas em valor foi constituído por 6 títulos com 10% de desconto e 4 títulos com 55% a 70% de desconto.

Isto quer dizer o seguinte, e é assim que eu analiso a atitude de consumo dos visitantes da Feira:

Os visitantes ou compram títulos conhecidos sem olharem ao desconto, ou compram títulos desconhecidos se tiverem grandes descontos.

No meio destes dois extremos, o papel do desconto tradicional de 20% torna-se meramente simbólico como caracterizador do lado discount da Feira. E por isso é que a hora H funciona, devido ao grande desconto que dá.

2. Análise

Para uma editora, a Feira do Livro de Lisboa (e a do Porto) servirá para um ou mais destes objectivos:

  1. Obter receitas e lucros
  2. Liquidar títulos descatalogados
  3. Fazer montra dos títulos
  4. Aproximar os autores dos leitores
  5. Mostrar-se
  6. Ajudar a promover o livro em geral

Para nós, se não fosse o último ponto, a Feira não teria razão de ser. A Feira representa apenas 1% a 2% das nossas vendas e lucros anuais, que não compensam a perda de vendas sofrida pelo retalho nem o antagonismo com que ele retribui. A Feira não tem tráfego suficiente para escoar os monos. E a Feira não é o meio mais eficaz, em termos de custo por contacto e de recordação, de publicitar os nossos títulos e fazer chegar os autores junto dos leitores.

A minha conclusão é que só nos interessa participar nas Feiras do Livro de Lisboa e do Porto se ajudarem a promover o livro em geral. Não por cada editora a promover os seus títulos e autores, mas por todas as editoras promoverem o livro em geral.

A Feira não deve ser uma feira, deve ser uma festa.

Uma festa, porque serve para estimular o aumento sustentado do consumo de livros, começando com as crianças que vão em visitas de estudo organizadas à festa. Uma festa que contribui para aumentar o valor do mercado do livro – que contribui para que haja mais procura de livros em geral, e com isso vender-se-ão mais livros em geral, e o retalho venderá mais livros, e nós venderemos mais livros (no retalho, não na feira).

No entanto, por ser uma festa cara, admito que só conseguimos participar nela se houver uma componente de feira para fazermos vendas directas ao público. E até aceito que os maiores grupos editoriais, para poderem investir mais na festa, criem autênticas lojas que multiplicam o seu potencial de vendas em relação aos pavilhões mais tradicionais, mas que são elas próprias, pela animação permanente, festas.

Nesta perspectiva, pelos benefícios indirectos para todo o mercado e não pelos directos para a editora, a FESTA vale a pena. A FESTA, não a Feira!

2 anos passam – e festejam-se – a correr

Hoje fazemos 2 anos. Foi num dia 29 de Abril, em 2009, que surgiram no mercado dois livros como nunca se tinham visto: Galope e O Diário de um Banana.

O primeiro, porque mostrava imagens animadas no papel; o segundo, porque era uma novela gráfica da era Internet e para os jovens da era Internet.

Felizmente esses dois títulos permitiram-nos começar com o pé direito.

Felizmente chegámos em 2 anos aos 204 títulos publicados e quase um milhão de exemplares impressos.

Felizmente comemoramos este aniversário com o livro mais vendido em Portugal no mês de Abril.

Felizmente comemoramos este aniversário a correr, porque estamos a trabalhar, e a trabalhar muito para podermos continuar a dizer felizmente.

Aos nossos queridos leitores, parabéns de todos nós (autores e editores), por nos lerem!

(Foto tirada daqui.)

A celebrar uma semana muito especial

Esta semana está a ser muito especial para nós, na Booksmile Nascente Vogais. Três feitos dignos de celebração aconteceram ao mesmo tempo, e quero partilhá-los com todos duma só vez:

  1. Pela primeira vez é nosso o livro mais vendido em Portugal na última semana. O Diário de um Banana 4: Um Dia de Cão colocou 22 mil exemplares no mercado no seu lançamento. A 4.ª edição já está em distribuição, e a 5.ª está em impressão.
  2. Vendemos os primeiros direitos internacionais do nosso primeiro livro original. Vida: Já perdoei erros quase imperdoáveis vai ser publicado no Brasil, o país do seu autor Augusto Branco.
  3. Atingimos os 200 títulos editados. Por pouco não celebrávamos também um milhão de livros impressos, mas já vamos em 940 mil. Ou seja, uma média de 4700 exemplares por título, confortavelmente acima da média do mercado.

Em futuros posts iremos desenvolver (se houver tempo) estes assuntos. Para já vamos festejar com a sensação de dever cumprido e esforço reconhecido, nas vésperas de fazermos 20 10 cinco dois anos de idade (é verdade, ainda usamos fraldas).

Balanço anual número 2: 2010

Em 2010, fiz o balanço do ano anterior logo ao dia 8 de Janeiro; este ano, se me atraso mais um dia, já não faço o balanço de 2010 antes de Março. Por isso tem de ser hoje, e vai assim:

1. O acontecimento do ano foi a fusão da Vogais & Companhia com a Booksmile, duas chancelas que por coincidência tinham uma história de vida quase idêntica, tanto em idade como em tamanho da equipa como em títulos editados, como em investimento, passando pelo distribuidor comum.

Graças à confiança que o fundador da Vogais, o sr. Mário de Moura, decano dos editores portugueses, em nós depositou, foi possível duplicar, dum dia para o outro, a equipa, os títulos editados e a facturação, de uma forma totalmente transparente e sem qualquer disrupção para o mercado.

Esta editora com duas chancelas teve em 2010 um volume de vendas de 2 milhões de euros (facturação equivalente ao retalho) e cumpriu os objectivos de rentabilidade.

É importante salientar que 2010 foi apenas o primeiro ano completo de actividade da editora. Ainda somos muito novos e relativamente pequenos. Mas, numa perspectiva de mercado marcada pela cada vez maior concentração tanto a montante como a jusante, só o nosso rápido crescimento permitirá que nos mantenhamos à tona da água. A fusão da Vogais com a Booksmile foi a nossa primeira resposta aos desafios permanentes do mercado editorial.

2. A fusão criou sinergias e permitiu-nos entrar em novos segmentos editoriais e reforçar a presença nos segmentos onde já estávamos presentes. Embora mantenhamos separadas as duas empresas pré-fusão, temos uma só organização funcional, podendo qualquer uma das empresas editar com qualquer uma das actuais três chancelas, consoante a melhor adequação ao respectivo catálogo, como a seguir se descrevem:

  • Booksmile é a chancela dos livros ilustrados de qualidade para o grande público, com o lema “livros que saltam à vista”
  • Nascente, surgida já em Jan-11, é a chancela de auto-ajuda, espiritualidade e esoterismo, com o lema “o curso da sua vida”; também passou a distribuir os títulos congéneres da Vogais & Companhia
  • Vogais, ex-Vogais & Companhia, relançada com imagem e logotipo renovado, e o lema “com todas as letras”, passa a ser a nossa chancela generalista

3. Números consolidados:

  • Títulos editados em 2009: 57
  • Títulos editados em 2010: 105
  • Títulos em catálogo no final do ano: 162
  • Tiragem total 2009+2010: 804 mil exemplares
  • Tiragem média 2009+2010: 4.960 exemplares
  • Colecções com maiores tiragens:
    • Princesa Poppy (23 títulos) – 210 mil exemplares
    • O Diário de um Banana (4 títulos) – 125 mil exemplares
    • Scanimation (2 títulos) – 29 mil exemplares
  • Taxa média de devolução: 21%
  • Facturação (vendas equivalente ao retalho): 2.000.000 €
  • EBITDA 2010 (não auditado): 240.000 €
  • Investimento total: 1.000.000 €
  • Colaboradores activos (FTE) no final de 2009 e de 2010: 8

4. A estratégia seguida em 2010 foi a continuação da iniciada em 2009:

  • criação e desenvolvimento de chancelas comerciais, de grande público
  • esforço de cobertura do mercado de 95% em valor
  • política de preço intermédio entre chancelas discount e chancelas líderes
  • agressividade promocional no ponto de venda (expositores, brindes, packs, compra de espaços, presença em publicações de retalhistas)
  • aposta na presença online multi-redes sociais
  • comunicação e RP estruturadas em departamento próprio

5. É este o balanço sucinto de 2010 da editora Booksmile / Nascente / Vogais (será que tenho de arranjar um nome para a designar?).

É um balanço muito positivo. A equipa que conseguiu tudo isto é fenomenal! Aqui fica outra vez uma nota pública de louvor. A eles, e também aos autores que em nós depositam a sua confiança e acreditam que fazemos o melhor que qualquer um poderia fazer pelas suas obras, OBRIGADO !

6. Ainda algumas notas finais e os objectivos para 2011:

2010 foi um ano de crise para o sector do livro, pior ainda do que 2009 devido a um último trimestre dramático, marcado pelo anúncio do Governo de cortes nos salários e aumentos dos impostos. A imediata contracção do consumo reflectiu-se violentamente no mercado do livro. Nós sentimo-lo e continuamos a senti-lo no início de 2011.

Embora acredite que o mercado irá reanimando lentamente ao longo do ano, o tempo é de precaução e consolidação. Por isso, os nossos objectivos para 2011 passam por manter a facturação, manter controlado o problema da distribuição (que inclui o problema das cobranças) e manter uma rigorosa disciplina financeira para ultrapassarmos todas as surpresas que nos hão-de surgir durante o ano.

Assim possamos entrar em 2012 plenos de força. Com a confiança dos nossos parceiros autores e livreiros, e a preferência dos nossos amigos leitores, vamos consegui-lo.

O André que vai pôr o cabelo das crianças em pé!

É já amanhã que chega às livrarias uma nova colecção dedicada aos mais novos (7+) e que vai pôr a criançada de cabelo em pé! Para perceber porquê, basta olhar para a fotografia aqui ao lado e conhecer o André.

André Cabelo-em-pé: A Companhia dos Medos (n.º 1) e André Cabelo-em-pé: A Vingança dos Homens-peixes (n.º 2) dão o pontapé-de-saída para mais uma colecção onde a imaginação é o elemento preponderante.

Todos os títulos têm uma criatividade notável, estando repletos de palavras inventadas e situações inusitadas. As suas narrativas, bem estruturadas e humorísticas, farão as delícias de qualquer leitor, jovem ou adulto.

As ilustrações que acompanham os textos são uma grande mais-valia dos livros, às quais se alia a criatividade do André, um inventor de armadilhas, inimigos e companheiros para as suas aventuras.

O n.º 1 da colecção venceu o Blue Peter Book Award, atribuído pela BBC, na categoria «Livro Ilustrado Mais Divertido». Venceu também o 2010 Portsmouth Book Award, na categoria «Shorter Novel», e é ainda um dos livros finalistas do 2011 Surrey Libraries Book Award.

Se quiser saber mais sobre o autor, Guy Bass, clique aqui. Quanto aos dois títulos… segue mais informação dentro de alguns minutos.

Mas antes… um booktrailer

O almoço de Natal da equipa

Fotografia do almoço de Natal da excelente equipa que faz sair os livros da Vogais e da Nascente e da Booksmile.

Houve troca de prendinhas e tudo, e apenas um problema: o almoço foi no dia 19-Jan porque foi sendo sempre adiado. Ai o trabalho, sempre o trabalho!

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Da esquerda para a direita: Guilherme (editorial), Sofia e Joana (comunicação e marketing), Catarina e Ana (editorial), Sílvia (assistente). Faltam na foto: a Margarida (força!), e o chefe, que não quis aparecer na foto.